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Vídeo nas Aldeias alerta para risco de perder acervo

ResumoO Vídeo nas Aldeias, projeto fundado em 1986 por Vincent Carelli, reúne mais de 70 filmes e 4 mil horas de material audiovisual produzido por cineastas indígenas. O acervo corre risco de perda, conforme alerta o próprio fundador. A preservação do material exige ação urgente para garantir a memória e a produção cultural indígena registrada ao longo de décadas.

Criado em 1986 por Vincent Carelli, o Vídeo nas Aldeias formou gerações de cineastas indígenas e reúne mais de 70 filmes. Agora, o acervo de 4 mil horas corre risco de se perder, alerta o fundador.

Hélio Tamandaré
Hélio Tamandaré Colunista de quadrinhos e cultura pop clássica · 01 de agosto de 2026
Vídeo nas Aldeias alerta para risco de perder acervo
8.6/10
VereditoCriado em 1986 por Vincent Carelli, o Vídeo nas Aldeias formou gerações de cineastas indígenas e reúne mais de 70 filmes. Agora, o acervo de 4 mil horas corre risco de se perder, alerta o fundador.

Vídeo nas Aldeias alerta para risco de perder acervo audiovisual indígena

O projeto Vídeo nas Aldeias, criado em 1986 pelo indigenista e cineasta Vincent Carelli, alerta para o risco de perder seu acervo de mais de 70 filmes e 4 mil horas de gravação analógica. A iniciativa, que formou gerações de cineastas indígenas, enfrenta agora o desafio da preservação digital.

O que é o Vídeo nas Aldeias e por que ele importa

Tudo começou nas bancas, ou melhor, nas aldeias. Em 1986, Vincent Carelli criou um projeto de capacitação audiovisual para formar cineastas indígenas. O Vídeo nas Aldeias promoveu os primeiros contatos dos indígenas com suas próprias imagens, transformando a câmera em instrumento de memória, valorização e resistência.

Passados 40 anos, o projeto ajudou a formar diversas gerações de cineastas e reuniu um acervo de mais de 70 filmes, produzidos em colaboração com mais de 40 povos indígenas do país. Segundo Carelli, o acervo possui mais de 4 mil horas de gravação analógica e "outras tantas de digital nativo".

O alerta sobre a perda do acervo

Apesar da importância, o acervo se encontra ameaçado. Durante uma aula no festival de cinema Bonito CineSur, que termina neste sábado (01) em Bonito (MS), Carelli questionou: "Para que museu isso iria? Qual instituição poderia fazer esse trabalho que a gente faz de atender e dar acesso a coisas específicas?"

Ele destacou que instituições públicas são mal financiadas e não estão preparadas para guardar um acervo digital, "que é uma coisa muito mais cara do que guardar fita".

A visão da especialista: falta equilíbrio entre produzir e preservar

Para Daniela Siqueira, professora da graduação em audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a preocupação de Carelli demonstra a necessidade de políticas públicas para a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

"O Estado brasileiro tem pensado mais na questão da preservação audiovisual, mas a gente precisa criar uma equação mais equilibrada entre o dinheiro que a gente põe na produção e o dinheiro que a gente põe para preservar", disse ela em entrevista à Agência Brasil. "No limite, em 20 anos o Estado brasileiro vai ter perdido todo o dinheiro que investiu em produção audiovisual nesse período."

O custo oculto do digital

Segundo Daniela, a preocupação com os acervos cresceu com o aumento da produção digital, que é mais cara e difícil de preservar. "Quando o digital começa a chegar na nossa vida, ele vende uma ideia de que vai resolver todos os problemas. Ele não resolveu, criou outros problemas", afirmou.

Ela explica que, antes, bastava um espaço físico para guardar os filmes. Agora, são necessários espaços digitais, nuvens, HDs externos e servidores. "Isso custa dinheiro, muito dinheiro."

Há ainda a questão da obsolescência. "Não é que você compra um servidor e ele vai te servir por décadas, não. Ele vai estar com você apenas por um determinado período", reforçou a professora.

Mais que filmes: identidade e encontro de gerações

Além de treinar e equipar as comunidades, o Vídeo nas Aldeias dá visibilidade às lutas e culturas indígenas. "Esses filmes viraram como carteiras de identidade", definiu Carelli.

O cineasta contou que os povos indígenas eram muito isolados uns dos outros. Quando os vídeos de uma etnia eram apresentados a outros grupos, eles "descobriam os outros povos e suas diferentes culturas". O cinema também criou novas relações dentro das aldeias: "Os jovens sempre olham para fora. Mas com as câmeras, eles tinham que fazer o cotidiano da aldeia, procurar os mais velhos e, com isso, houve um encontro de gerações".

O futuro: redes sociais e comunicadores indígenas

Daniela Siqueira considera o projeto um "enclave na nossa história brasileira" por discutir como se produzem imagens no país e trazer a luta política indígena para a pauta social. Quando essas imagens circularam em escolas e festivais, sobretudo a partir dos anos 2000, criou-se uma possibilidade de a sociedade brasileira se relacionar com os indígenas mediada pelo cinema.

Hoje, Carelli destaca que essa construção sobre a imagem se faz mais pelas redes sociais. "Nasceu uma nova categoria, que eles chamam de comunicadores indígenas. São pessoas que fotografam, escrevem, filmam e que escancaram a janela da visibilidade."

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Perguntas Frequentes

Por que o acervo do Vídeo nas Aldeias está ameaçado?

O acervo de mais de 4 mil horas de gravação está ameaçado pela falta de financiamento para preservação digital, que é mais cara que a guarda de fitas físicas, segundo Vincent Carelli.

Quantos filmes e povos estão no acervo?

O projeto reúne mais de 70 filmes produzidos em colaboração com mais de 40 povos indígenas do Brasil.

O que é preciso para preservar o patrimônio audiovisual?

Segundo a professora Daniela Siqueira, é preciso criar políticas públicas que equilibrem o investimento entre produção e preservação de filmes.

Como o projeto impacta as comunidades indígenas?

O Vídeo nas Aldeias promoveu o encontro de gerações nas aldeias, deu visibilidade às culturas e criou os chamados comunicadores indígenas, que atuam nas redes sociais.

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