Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta sexta
Após ser cancelado e reconfirmado pelo governo do DF em poucas horas, o mais longevo festival de cinema do país abre a 59ª edição nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília, com A Pele Morta.
A 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília. A abertura será com A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres. Até chegar aí, o festival viveu o próprio drama: foi cancelado pelo governo do Distrito Federal sob o argumento de falta de verba e reconfirmado horas depois, quando a governadora Celina Leão publicou em suas redes a determinação para que a Secretaria de Economia providenciasse os recursos.
O que muda para quem acompanha o cinema nacional: a edição segue com quase 2 mil filmes inscritos, recorde do festival, e mais de 70 selecionados entre mostras competitivas de longas e curtas, mostras paralelas e sessões especiais. É a maior vitrine anual do audiovisual brasileiro, e ela acontece de graça para o público que comparece ao Cine Brasília.
Entre as mostras, a sessão Vozes e Lutas reúne filmes marcados pela retratação de movimentos políticos e culturais relevantes. Um deles é Pontos de Partida, do cineasta Silvio Tendler, morto em setembro do ano passado. O festival nasceu em 1965 e só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar. Na pandemia, aconteceu de forma virtual. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.
A presença de Brasília na programação é um dos pontos altos. A Pele Morta foi concebido pelo diretor Geraldo Moraes, radicado em Brasília e morto em 2017, e resgatado e dirigido pelos seus filhos. No sábado (12), às 18h, o Cine Brasília recebe em primeira mão três episódios de Delegado, série dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca e produzida por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, responsáveis pelo sucesso do cinema nacional no ano passado com O Agente Secreto.
"As expectativas são as melhores possíveis. Um dos grandes destaques desta programação é a presença importante de filmes de Brasília, com vínculos fortes com o Distrito Federal", disse a diretora-geral do festival, Sara Rocha, à Agência Brasil.
"A gente espera superar o número de espectadores e poder abraçar todas as pessoas que fazem parte do festival; o público, os realizadores e toda comunidade cultural, para que a gente possa celebrar o cinema brasileiro e fortalecer. A cada edição do festival que se realiza, amplia um pouco mais esse lastro", completou Sara Rocha.
"Um patrimônio não é cancelável. O festival é um patrimônio tombado formalmente e afetivamente, não só por Brasília, mas por todo o Brasil. A gente está muito feliz e orgulhoso de poder entregar mais uma edição do festival. Que todo mundo possa aproveitar com a gente", celebrou a diretora-geral.
A programação completa está no site oficial do festival. Para quem acompanha o cinema nacional de perto, a edição deste ano importa por um motivo simples: o festival segue sendo o lugar onde a produção brasileira se encontra, se debate e se apresenta ao público, edição após edição.