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Viva Maria, da Rádio Nacional, presta serviço a mulheres há 45 anos

ResumoViva Maria é um programa da Rádio Nacional criado por Mara Régia di Perna em 1981 e dedicado a direitos das mulheres. A atração chega a 45 anos em 2026 com cerca de 8,2 mil edições veiculadas. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lança série de 14 podcasts sobre a trajetória do programa.

Criado por Mara Régia di Perna em 1981, o Viva Maria, da Rádio Nacional, chega aos 45 anos com 8,2 mil edições veiculadas. A EBC lança série de 14 podcasts sobre a trajetória do programa que virou referência em direitos das mulheres.

Lúcia Sanvido
Lúcia Sanvido Repórter de patrimônio e memória cultural · 14 de setembro de 2026
Viva Maria, da Rádio Nacional, presta serviço a mulheres há 45 anos
6.5/10
VereditoCriado por Mara Régia di Perna em 1981, o Viva Maria, da Rádio Nacional, chega aos 45 anos com 8,2 mil edições veiculadas. A EBC lança série de 14 podcasts sobre a trajetória do programa que virou referência em direitos das mulheres.

O Viva Maria, da Rádio Nacional, chega aos 45 anos como um dos programas mais longevos da radiodifusão pública brasileira. Criado pela jornalista Mara Régia di Perna em 1981, quando ela tinha 30 anos, o programa voltado aos direitos sociais das mulheres soma 8,2 mil edições veiculadas pelas emissoras da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Nesta segunda-feira, 14 de setembro, a EBC lança uma série de 14 podcasts sobre a trajetória do programa.

Em 40 a 60 palavras: o Viva Maria estreou em 1981, criado por Mara Régia di Perna, e se tornou referência internacional em cidadania, gênero e direitos humanos. Foram 8,2 mil edições em 45 anos, mais de 30 prêmios e pelo menos 30 estudos acadêmicos. A Rádio Nacional, da EBC, exibe agora uma série de 14 podcasts sobre essa história.

A estreia não foi tranquila. Mara Régia relembra que estava ansiosa e com o "coração descompassado", em "uma tremedeira e rouca". "Sabia da responsabilidade que iria significar", diz, 45 anos depois. O anúncio do programa, que ela lembra decorado, prometia: "Quando entrar setembro, as Marias haverão de consolidar seu espaço na comunicação brasileira através de um programa que chega para fazer com que você seja ouvida nas suas reivindicações".

O contexto era decisivo. Segundo Mara, o programa nasceu em uma década marcada pela promulgação da Constituição. Ela participou da divulgação da Carta das Mulheres aos Constituintes, entregue em 27 de março de 1987 com reivindicações dos movimentos feministas por direitos civis, políticos e sociais. "Toda essa articulação feita através do Fórum das Mulheres do Distrito Federal nasceu no auditório da Rádio Nacional com a força do Viva Maria", recorda.

Temas como mercado de trabalho, saúde e educação ganharam repercussão conforme a participação das ouvintes, por telefone ou cartas. O enfrentamento à violência contra a mulher ocupou espaço especial, inspirado na história da mãe de Mara, Yolanda, vítima de violência doméstica. As pressões do programa foram fundamentais para a implementação da primeira delegacia especial de atendimento à mulher em Brasília, em 1986.

O reconhecimento cobrou preço. Mara passou a receber ameaças por telefonemas e a ser protegida pela polícia local. Organizou para que os dois filhos morassem, por um tempo, com familiares de fora da capital. "Nunca pensei em desistir. Eu tinha que conseguir construir as políticas. Quando você abraça o seu destino, não pode traí-lo", afirma.

A força do programa aparece na trajetória de ouvintes. No Amapá, Mara fez campanha para ajudar com perucas vítimas de escalpelamento. A professora Rosinete Serrão, vítima desse tipo de acidente com motores de embarcações, passou a ser voz do tema: "Não só descobrimos que existiam outras mulheres, como também, ao ser entrevistada pelo Viva Maria, passamos a inspirar mulheres a não pararem diante do acidente". Depois de conseguir uma peruca, Rosinete voltou a estudar e se formou em pedagogia.

No Acre, o programa deu visibilidade ao trabalho das parteiras, como Maria Zenaide Carvalho. "Lá no seringal, o rádio é o preferido. Nós parteiras do Acre e da Região Norte nos comunicamos por ele. O programa nos uniu", diz. A trabalhadora rural Kennya Silva também mudou de vida após ter uma carta lida no ar: voltou a estudar e cursou letras.

O que está em jogo é a continuidade de um espaço que transformou ouvintes em agentes. Sem ele, histórias como as de Rosinete, Maria Zenaide e Kennya perdem o canal que as tornou visíveis.

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