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Rádio Nacional: 90 anos em sintonia com o Brasil

ResumoA Rádio Nacional completa 90 anos em 14 de abril, com trajetória revisitada pelo programa Caminhos da Reportagem. Emissora pública que hoje integra a EBC, a Rádio Nacional tem acervo histórico em processo de tombamento pelo Iphan, reconhecendo sua importância para a radiodifusão e a cultura brasileira.

A Rádio Nacional completa 90 anos nesta segunda-feira (14) e tem sua trajetória revisitada pelo programa Caminhos da Reportagem. O acervo histórico da emissora, que hoje integra a EBC, está em processo de tombamento pelo Iphan.

Ariovaldo Setúbal
Ariovaldo Setúbal Crítico de cinema clássico · 14 de setembro de 2026
Rádio Nacional: 90 anos em sintonia com o Brasil
8.8/10
VereditoA Rádio Nacional completa 90 anos nesta segunda-feira (14) e tem sua trajetória revisitada pelo programa Caminhos da Reportagem. O acervo histórico da emissora, que hoje integra a EBC, está em processo de tombamento pelo Iphan.

A estreia foi anunciada com alvoroço. No dia 12 de setembro de 1936, o Jornal A Noite, do mesmo grupo ao qual pertencia a emissora, anunciava que se inaugurava "a maior estação radiodifusora do país". A Rádio Nacional nascia no Rio de Janeiro, e 90 anos depois sua trajetória é tema do programa Caminhos da Reportagem nesta segunda-feira (14).

A Rádio Nacional completa 90 anos e é tema do Caminhos da Reportagem nesta segunda (14). Hoje integra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e seu acervo histórico está em processo de tombamento pelo Iphan, com conclusão prevista até o fim do ano.

O Brasil daquele 1936 vivia o desenvolvimento industrial e a expansão das cidades. A maior parte da população, porém, ainda morava na Zona Rural e não sabia ler. O rádio foi o primeiro meio de comunicação de massa a falar para os brasileiros de forma mais abrangente, e a Nacional se tornou símbolo desse fenômeno. Nasceu privada, foi estatizada pelo presidente Getúlio Vargas na década de 1940 e, com mais investimentos em transmissores e programação, assumiu o posto de campeã de audiência, segundo registros do Ibope.

A historiadora Lia Calabre explica que a emissora já trazia um desenho profissional diferente. Selou contratos exclusivos, formou orquestra e elenco de artistas. "O que a Nacional faz? Ela cria as suas vozes", afirma Calabre. O acervo da EBC guarda fichas de antigos funcionários e nomes como Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Pixinguinha, Paulo Gracindo e Heron Domingues, apresentador do Repórter Esso.

Entre os papéis preservados estão seis dos nove volumes originais dos roteiros de Em busca da Felicidade, primeira radionovela transmitida no Brasil, exibida pela Nacional de 1941 a 1943. Por esse material, a EBC recebeu o certificado Memória do Mundo, da Unesco. Os roteiros estão em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan), que deve ser concluído até o fim do ano, segundo a gerente de acervo e pesquisa da EBC, Maria Carnevale. "A gente tem a perspectiva de que boa parte do acervo da Rádio Nacional seja tombado", afirma.

A emissora se desdobrou em sete principais: Rio de Janeiro (1936), Brasília AM (1958) e FM (1976), Amazônia (1977), Alto Solimões (2006), São Luís e São Paulo (2021). Em 2007, com a EBC, tornou-se veículo público. Para o diretor-geral da EBC, Thiago Regotto, a história da Nacional contribui para que ela seja um dos pilares da radiodifusão pública. O professor Marcelo Kischinhevsky, da UFRJ, destaca o papel da emissora na Rede Nacional de Comunicação Pública, com mais de 140 emissoras parceiras.

Ao assistir ao Caminhos da Reportagem, vale observar como o programa costura o acervo documental à memória afetiva de ouvintes como Hernandez Lopes, de 14 anos, que aprendeu a escutar a Nacional com o pai em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

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