Lavagem de Madeleine exalta cultura afro-brasileira em Paris
A 25ª edição da Lavagem de Madeleine, um dos maiores encontros da cultura afro-brasileira na Europa, deve reunir 60 mil pessoas em Paris. O cortejo, no dia 13, terá 700 artistas e celebra o sincretismo religioso e a cultura baiana.
Entre os dias 10 e 13 de setembro, Paris recebe a 25ª edição da Lavagem de Madeleine, um dos maiores encontros da cultura afro-brasileira na Europa. A expectativa é reunir cerca de 60 mil pessoas entre brasileiros, franceses e turistas de diversos países. O evento, Patrimônio Imaterial da França, integra o calendário oficial da capital francesa e conta com apoio da prefeitura local e da Secretaria de Turismo da Bahia, além de patrocínio da Embratur.
A Lavagem de Madeleine faz parte também da Rota dos Escravizados da Unesco, roteiro cultural que conecta locais ligados à história da escravidão e preserva a memória desse período. A ideia de levar a lavagem simbólica para Paris surgiu em 1998, com o multiartista Roberto Chaves, o Robertinho, nascido em Santo Amaro da Purificação (BA) e radicado na França desde 1990. Ele conta que, ao passar pela Igreja de la Madeleine, conversou com o padre responsável, que já conhecia a Bahia, e decidiu criar o evento inspirado na Lavagem da Igreja do Bonfim, de Salvador.
O ponto alto da programação é o cortejo do dia 13, que reúne mais de 700 artistas. A concentração acontece na Place de la République e segue até a Igreja de La Madeleine, onde baianas fazem a lavagem simbólica das escadarias. O trio elétrico será comandado por Mariene de Castro e Robertinho, com participações de Jau, Gildaa e Lorena Pires. Desfilam 15 grupos folclóricos afros, além de alas de percussão, samba, maracatu, capoeira e baianas. Para marcar o sincretismo, a cantora lírica Lorena Pires, residente da Academia da Ópera Nacional de Paris, interpreta Ave-Maria.
A programação começa no dia 10, com a abertura da exposição fotográfica Três Olhares na Embaixada do Brasil na França, em homenagem aos 25 anos do evento. Nos dias 11 e 12, há workshop de dança afro-brasileira. Robertinho define a Lavagem como um festival da cultura brasileira, que mostra culinária, capoeira, dança, maracatu, samba de roda e afoxé, com alas representando estados brasileiros. Em 2025, o cortejo foi puxado pelo grupo Olodum.