Celular impulsiona leitura digital no Brasil, mostra pesquisa
O celular se tornou o principal meio de acesso à leitura digital no Brasil. Pesquisa da Nielsen BookData mostra que 72% dos leitores de livros eletrônicos usam o smartphone. Entenda o perfil e os hábitos desse público.
O celular se tornou o principal impulsionador da leitura digital no Brasil. Pesquisa da Nielsen BookData, divulgada nesta quarta-feira (2), mostra que o país tem cerca de 94 milhões de leitores digitais, pessoas que nos últimos 12 meses usaram algum dispositivo eletrônico para acessar notícias, livros, audiolivros, PDFs e outros conteúdos. E o telefone é o meio preferido: 72% dos que leem livros eletrônicos ou ouvem audiolivros o fazem por smartphone.
O levantamento Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, realizado entre 1º e 11 de junho, ouviu 3 mil pessoas de todas as classes e regiões. Os dados revelam um perfil majoritariamente jovem: leitores de 18 a 44 anos, com maior presença feminina (56%). Metade se declara branca; pardos são 37% e pretos, 11%. As classes C (46%), D e E (18%) somam 64% dos leitores digitais, enquanto a classe B responde por 29% e a A, por 7%.
A história da técnica de enfermagem Maria das Neves de Araújo Alves, de 60 anos, ilustra esse cenário. Moradora de Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, Nevinha passa ao menos três horas diárias em ônibus entre casa e trabalho em Brasília. Parte do tempo, dedica à leitura de romances e livros de ação no celular. "Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo", contou à Agência Brasil. Ela mantém o hábito há quatro anos e escolhe a plataforma gratuita por dispensar downloads, o que economiza dados móveis e espaço no aparelho.
Os motivos para a preferência digital são práticos. Seis em cada dez leitores (61%) citam a facilidade de acesso; 48% valorizam levar vários livros em um só dispositivo; o preço mais baixo que o do papel vem em terceiro. O celular também foi a escolha de 85% dos que leram textos que não são livros. Notícias e livros digitais lideram os conteúdos mais acessados, seguidos de artigos em blogs e audiolivros.
A pesquisa revela ainda um consumo expressivo de obras gratuitas: 48,8% obtiveram livros em sites, aplicativos ou links não oficiais, e 46,4% recorreram a plataformas institucionais como o MEC Livros. Para o presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, Rafael Lunes, a tecnologia virou "o canal por onde a cultura e a educação finalmente romperam as barreiras da exclusão física". Ele cita dados do IBGE: em 2018, apenas 18% dos 5.570 municípios brasileiros tinham livraria. A rede móvel, como lembra o executivo da Skeelo, Rodrigo Meinberg, chega onde as livrarias não chegam. O que se perde sem esse acesso não volta: a chance de formar leitores habituais num país de dimensões continentais.