3º Prêmio Jabuti Acadêmico: vencedores revelados em São Paulo
A CBL anunciou os vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Obras sobre crise climática, desigualdade e ditadura militar estão entre os destaques.
3º Prêmio Jabuti Acadêmico: uma noite para a ciência brasileira
A noite de terça-feira (11) ficou marcada no calendário cultural paulistano. O Teatro Sérgio Cardoso, na capital, recebeu a cerimônia que revelou os vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico. A premiação, criada em 2024, é voltada a obras acadêmicas, científicas e técnicas, e amplia a visibilidade de autores e editoras desses segmentos.
A 3ª edição contou com 27 categorias divididas em dois eixos: Ciência e Cultura e Prêmios Especiais. Entre os vencedores, há obras sobre desafios contemporâneos e questões históricas que ainda reverberam na atualidade, como crise climática, desigualdade social, ditadura militar e saberes tradicionais indígenas e africanos.
Os grandes vencedores por categoria
Na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais, o prêmio foi para O jeito Yanomami de pendurar redes (Editora Perspectiva), de Thiago Benucci. Já em Economia, a obra premiada foi A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico (Editora Jandaíra), de Fillipi Nascimento e Michael França.
Em Ciências Agrárias e Ciências Ambientais, o título vencedor foi Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas (Editora Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), de Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin.
A categoria Ciências da Religião e Teologia premiou Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores (Editora Pallas), de Reginaldo Prandi. Em Comunicação e Informação, o 1º lugar ficou com Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva (Editora Matrix), de Juliana Dal Piva.
Os autores vencedores receberam a estatueta do Jabuti Acadêmico, além de um prêmio de R$ 5 mil. As editoras das obras premiadas também receberam a estatueta.
O homenageado da noite: José Goldemberg
O grande homenageado foi o físico, professor e pesquisador José Goldemberg, anunciado pela CBL como a Personalidade Acadêmica desta 3ª edição. Ele esteve na cerimônia para receber a estatueta. A homenagem reconhece sua trajetória científica, liderança acadêmica e contribuição para o desenvolvimento da ciência, das políticas públicas e da sustentabilidade.
Em seu discurso, Goldemberg emocionou o público ao relembrar sua formação: "Sou um produto típico da educação pública e laica do Brasil. Escola primária em Porto Alegre, ginásio no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de forte influência positivista, para quem a ciência é o motor da história, e Universidade de São Paulo (USP), em 1945".
O professor contou que iniciou pesquisas em física nuclear na USP e trabalhou na Universidade de Stafford e na Universidade de Paris. Após 20 anos de pesquisa, passou a atuar na SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em defesa da ciência e dos cientistas, durante o período do governo autoritário. Foi reitor da USP de 1986 a 1990, tentando recuperar o nível acadêmico perdido no período autoritário.
Seu trabalho em fontes de energia renováveis e biocombustíveis o levou à Universidade de Princeton, onde, com colaboradores de diferentes países, publicou em 1988 o livro Energy for a Sustainable World, que se tornou referência na área e impulsionou a transição energética no mundo todo. "Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem", finalizou.
Segundo a CBL, ao longo de mais de sete décadas, Goldemberg consolidou-se como referência da ciência brasileira e internacional, com trabalho decisivo para projetar internacionalmente o programa brasileiro de biocombustíveis. Entre seus reconhecimentos estão o Blue Planet Prize (Japão, 2008) e o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010.
Homenagem a Mary Del Priore
A noite também celebrou a obra História das Mulheres no Brasil, da historiadora, escritora e professora Mary Del Priore, escolhida como o Livro Acadêmico Clássico 2026. O objetivo é reconhecer obras de relevância permanente, que marcaram gerações de pesquisadores, estudantes e leitores. O título foi escolhido pela diretoria da CBL após consulta pública inicial.
Uma premiação que cresce
Para Sevani Matos, presidente da CBL, a edição é motivo de comemoração: "É motivo de muita comemoração reconhecer obras de alta qualidade que evidenciam a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica no Brasil". A lista completa dos premiados está disponível no site da organização.
Perguntas Frequentes
Quando foi criado o Prêmio Jabuti Acadêmico?
A premiação foi criada em 2024 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) para valorizar obras acadêmicas, científicas e técnicas.
Quantas categorias teve a 3ª edição?
Foram 27 categorias, divididas em dois eixos: Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.
Qual o valor do prêmio para os autores?
Os autores vencedores receberam a estatueta do Jabuti Acadêmico e um prêmio de R$ 5 mil.
Quem foi a Personalidade Acadêmica da edição?
O físico José Goldemberg foi o grande homenageado da noite.
Qual obra foi escolhida como Livro Acadêmico Clássico 2026?
História das Mulheres no Brasil, de Mary Del Priore, recebeu a homenagem.