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Calila das Mercês lança livro e celebra literatura do interior

ResumoCalila das Mercês, pesquisadora, jornalista e escritora, lança o primeiro romance Nódoa e atua como curadora do 4º Fliparacatu, em Paracatu (MG). A obra marca a produção literária do interior mineiro, com narrativa que explora temas regionais. O evento celebra a diversidade cultural local, consolidando a autora como voz ativa na cena literária fora dos grandes centros urbanos.

Calila das Mercês, pesquisadora, jornalista e escritora, lança seu primeiro romance, Nódoa, e celebra a literatura do interior como curadora do 4º Fliparacatu, em Paracatu (MG).

Ariovaldo Setúbal
Ariovaldo Setúbal Crítico de cinema clássico · 29 de agosto de 2026
Calila das Mercês lança livro e celebra literatura do interior
9.2/10
VereditoCalila das Mercês, pesquisadora, jornalista e escritora, lança seu primeiro romance, Nódoa, e celebra a literatura do interior como curadora do 4º Fliparacatu, em Paracatu (MG).

A cena se grava na memória: uma mulher escreve dentro de um ônibus, em uma rodoviária, no barulho, entre mudanças de casa. É assim que Calila das Mercês descreve a gestação de Nódoa, seu primeiro romance, lançado em julho pela Companhia das Letras. "Eu escrevi dentro do ônibus, eu escrevi em uma rodoviária, escrevi no barulho, escrevi com mudança", lembra a escritora, que também é pesquisadora e jornalista.

Calila é uma das curadoras da quarta edição do Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu), cidade mineira a 500 quilômetros de Belo Horizonte. Ela assina a curadoria ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges, idealizador e presidente do festival. O evento, que acontece de 26 a 30 de agosto de 2026 no Centro Histórico de Paracatu, com entrada gratuita, tem como tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo, uma conversa entre Milton Santos, cujo centenário foi comemorado em maio, e João Guimarães Rosa, que apresentou Grande Sertão: Veredas há 70 anos.

"Minhas primeiras escolas são os quintais: o sertão e o recôncavo baiano", conta Calila, que divide com Milton Santos o lugar, o território e o interior da Bahia. Ela chama Grande Sertão de "fabuloso" e diz que Campo Geral, de 1956, a deixou "muito emocionada". Sobre o geógrafo, afirma: "A gente está homenageando também meu conterrâneo, que é o Milton Santos, que marcou sua existência, no Brasil e no mundo".

Nódoa é narrado por Regina e Lurdes Maria, mulheres em constante movimento que não se perdem umas das outras. O livro brinca com a materialidade da escrita: maiúsculas e minúsculas traduzem cada personagem, da que não sabe ler nem escrever à artista plástica. "Uso muito silêncio nas páginas", explica Calila, que foi quatro vezes ao rio São Francisco e visitou o maior cajueiro do mundo para se conectar com a natureza.

A escritora, que já assinou eventos literários em Cachoeira (BA) e Cavalcante (GO), celebra esses encontros pelo interior, mas alerta para o risco de festas com "donos" e palanques políticos. "Paracatu é um lugar que produz pensamento", defende. Entre os nomes desta edição estão Mia Couto, Alê Santos, Bruna Lombardi e Eliana Alves Cruz.

Vale assistir com calma: observe como as palavras formam desenhos nas páginas de Nódoa, um trabalho sensorial que entrega ao leitor outras formas de ver a obra e que deixam marcas, que deixam nódoas.

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