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Flip: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal

ResumoA 24ª Flip homenageou Orides Fontela, definida pelo crítico Augusto Massi como poeta universal. A abertura do evento destacou a fragilidade e força na obra da escritora, que publicou cinco livros de poesia. A mesa lotada ouviu análises sobre a produção literária de Orides Fontela.

Na abertura da 24ª Flip, o crítico Augusto Massi definiu Orides Fontela como poeta universal, destacando sua fragilidade e força. A mesa lotada ouviu análises sobre a obra da homenageada, que publicou cinco livros de poesia.

Ariovaldo Setúbal
Ariovaldo Setúbal Crítico de cinema clássico · 23 de julho de 2026
Flip: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal
6.6/10
VereditoNa abertura da 24ª Flip, o crítico Augusto Massi definiu Orides Fontela como poeta universal, destacando sua fragilidade e força. A mesa lotada ouviu análises sobre a obra da homenageada, que publicou cinco livros de poesia.

Flip: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal

Na noite dessa quarta-feira (22), o auditório lotou para a mesa de abertura da 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Quem subiu ao palco foi o crítico literário Augusto Massi, amigo e editor da poeta Orides Fontela, homenageada do evento. Com a participação também da poeta Marília Garcia, Massi definiu Orides como "poeta universal" e sintetizou seu paradoxo: "Ela é frágil e forte. Ela é alucinada e lúcida."

Massi, que é crítico literário e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), conduziu a plateia como quem leva "o leitor pela mão" ao cruzar uma ponte, em uma travessia para o outro lado de um rio, onde o público pudesse chegar mais perto da poesia de Orides.

A trajetória literária de Orides Fontela

Na apresentação, Massi destacou elementos que atravessam o trabalho da escritora, como a formação católica, a cultura greco-romana, os estudos em filosofia e a experiência no zen budismo, quando há uma abertura às influências do Oriente.

Ao longo da carreira, Orides publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Com Alba, que tem prefácio do crítico Antonio Candido, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia.

O poema Herança e a poesia visual

Massi apontou que, em Rosácea, Orides começa um caminho novo, falando pela primeira vez da vida pessoal. Citou o poema Herança, que diz: "da avó materna, uma toalha (de batismo)". Ao longo do poema, após falar da avó, Orides traz também uma lista de objetos "do pai" e "da mãe": um martelo, duas chaves, um caldeirão e um lenço.

"Não tem verbo, são coisas. É uma herança concreta de alguém de uma família pobre. É como se dissesse: 'a pobreza, na Orides, é a sua riqueza'. Tudo que ela reduz vira alguma coisa que se irradia de sentido", concluiu Massi.

O professor ressaltou que, até aquele momento, nas obras anteriores, Orides utilizava especialmente formas geométricas, abstratas, mitos e usava uma espécie de interlocutor que falava por ela nos versos, como Penélope, Rebeca e São Sebastião. Agora, falava dela mesma.

Pontuação como imagem

Massi mencionou ainda a relevância da pontuação e dos sinais gráficos na construção dos poemas. "O gosto da Orides é por uma poesia visual e plástica, o gosto pela imagem." Um exemplo é o poema São Sebastião, que faz referência a um soldado romano alvejado por flechas. "No poema, a Orides, como sinais de pontuação, usa o travessão. O travessão já são as setas atravessando as palavras, o corpo do texto", analisou.

O último livro: Teia

O último livro, intitulado Teia, foi publicado dez anos depois do anterior. "Ela demorou para fazer esse livro, é um livro em que ela parece que sente o fim, ela sente que a morte está chegando para ela", relatou Massi. Ele fez um contraponto entre os poemas Teia e Coruja, de Rosácea: "Não é mais a coruja, que é a caçadora, que é aquela que vai e abate. Essa poética ferina e cruel da primeira Orides. Essa teia é outra, ela fala que 'arma, armadilha' e que no centro da teia 'a aranha espera'."

Ao fim da apresentação, o professor citou o último poema do livro Teia, o último que Orides publicou em vida: Estrela da Tarde. "Agora que ela vai morrer, que ela sabe que vai morrer, ela está escolhendo a estrela da tarde, a que brilha mais forte. E é uma que não precisa nem da alba, nem da noite. Ela é a primeira a brilhar antes da noite chegar e com muita intensidade."

A Flip tem extensa programação cultural até domingo (26), em diversos espaços no centro histórico de Paraty.

*A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

Perguntas Frequentes

Quem é Orides Fontela?

Orides Fontela é a poeta homenageada da 24ª Flip, definida pelo crítico Augusto Massi como "poeta universal". Publicou cinco livros de poesia e ganhou o Prêmio Jabuti com Alba.

Quantos livros Orides Fontela publicou?

Ela publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996).

Qual foi o último poema de Orides Fontela?

O último poema que publicou em vida foi Estrela da Tarde, presente no livro Teia.

Quem falou sobre Orides na abertura da Flip?

O crítico literário Augusto Massi, amigo e editor da poeta, fez a apresentação na mesa de abertura, com participação da poeta Marília Garcia.

O que é a Flip?

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é um evento cultural que ocorre no centro histórico de Paraty, com programação até domingo (26).

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