Crítica · Destaques

Filme sobre ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSur

ResumoO filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? venceu o prêmio de melhor longa sul-americano no Festival Bonito CineSur. A obra aborda a ditadura de Alfredo Stroessner e a violência histórica contra a comunidade LGBT+ no Paraguai. A produção conquistou o júri com narrativa sobre repressão e resistência durante o regime militar.

O longa paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? venceu o prêmio de melhor filme sul-americano no Bonito CineSur. O filme aborda a ditadura de Stroessner e a violência contra a comunidade LGBT+.

Lúcia Sanvido
Lúcia Sanvido Repórter de patrimônio e memória cultural · 03 de agosto de 2026
Filme sobre ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSur
8.6/10
VereditoO longa paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? venceu o prêmio de melhor filme sul-americano no Bonito CineSur. O filme aborda a ditadura de Stroessner e a violência contra a comunidade LGBT+.

Filme sobre a ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSur

A quarta edição do festival de cinema Bonito CineSur, realizada em Bonito (MS), consagrou o filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? como o grande vencedor da categoria de melhor longa sul-americano. A cerimônia de encerramento ocorreu na noite de sábado (1º) no Centro de Convenções da cidade. O longa, dirigido por Marcelo Martinessi, é baseado no livro Narciso, do jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá.

A trama parte do assassinato de Bernardo Aranda, locutor de rádio homossexual, queimado enquanto dormia em 1959. O crime nunca foi solucionado, mas a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia aponta possível envolvimento do governo militar de Alfredo Stroessner. O regime, considerado a ditadura mais longa da América do Sul, promoveu quase 20 mil prisões arbitrárias, 59 execuções, 336 desaparecimentos e torturou cerca de 19 mil pessoas em 35 anos, segundo dados de 2003. Entre os grupos mais atingidos estavam as pessoas LGBT+, como Aranda.

A fala do ator Diro Romero

Diro Romero, que interpreta Narciso, celebrou o prêmio: "De verdade, este prêmio proporciona um desfecho mais do que lindo". Em entrevista à Agência Brasil, ele reforçou a importância de contar histórias sobre as ditaduras sul-americanas para que não se repitam. "Dizemos que a ditadura terminou há vários anos, mas não somente sentimos que há indícios de que ela segue entre nós", alertou.

Alejandro Calderón e o cinema ambiental

O diretor colombiano Alejandro Calderón levou três estatuetas. Hipopótamos, el Arca de Escobar venceu como melhor curta de cinema ambiental, e Páramos II: El Origen conquistou o público e o júri como melhor longa do gênero. O documentário reúne especialistas para explicar a formação dos páramos e os riscos da mineração, monocultura e pecuária. Calderón homenageou 150 ativistas ambientais assassinados na Colômbia nos últimos três anos.

Balanço do festival

O Bonito CineSur apresentou 32 filmes de dez países sul-americanos, além de aulas, debates e homenagens a Paulina Garcia, Vincent Carelli e Luiz Puenzo. O diretor Nilson Rodrigues defendeu a formação de um bloco audiovisual sul-americano e a presença de ministérios da Cultura na próxima edição. cinema sul-americano festivais de cinema no Brasil ditaduras na América do Sul

Perguntas Frequentes

Qual filme venceu o Bonito CineSur 2026?

¿Quién Mató a Narciso?, da Paraguai, venceu como melhor longa sul-americano.

Quem dirigiu ¿Quién Mató a Narciso??

Marcelo Martinessi dirigiu o filme, baseado no livro de Guido Rodríguez Alcalá.

O que o filme aborda?

A obra trata do assassinato de Bernardo Aranda, em 1959, e da ditadura de Stroessner.

Quantos filmes foram exibidos no festival?

Foram 32 filmes de dez países sul-americanos.

Quem foi homenageado no festival?

A atriz Paulina Garcia e os cineastas Vincent Carelli e Luiz Puenzo.

Leia também

Publicidade