# Festival Bonito CineSur promove integração audiovisual sul-americana em 2026

> O Festival Bonito CineSur 2026 ocorre de 24 de julho a 1º de agosto em Bonito (MS), com 32 produções de 13 países sul-americanos. O evento gratuito promove integração audiovisual, destacando narrativas indígenas e homenagens a Vincent Carelli e Paulina García, com mostras, palestras e cine debates.

*Clássicos Brasil · Destaques · 24 de julho de 2026 · Hélio Tamandaré*

A quarta edição do Bonito CineSur começa em 24 de julho em Bonito (MS), reunindo 32 produções de 13 países sul-americanos. Com foco em narrativas indígenas e homenagens a Vincent Carelli e Paulina García, o festival gratuito oferece mostras, palestras e cine debates até 1º de ago

## Festival Bonito CineSur promove integração audiovisual sul-americana

Começa nesta sexta-feira (24), na cidade de Bonito (MS), a quarta edição do Bonito CineSur, festival de cinema definido pela organização como um espaço de encontro e integração do cinema e do audiovisual sul-americano. O evento, que vai até sábado (1º de agosto), leva ao público 32 produções cinematográficas de 13 países da América do Sul, com destaque para narrativas indígenas que surgem naturalmente na curadoria.

O Bonito CineSur 2026, realizado de 24 de julho a 1 de agosto em Bonito (MS), reúne 32 filmes de 13 países sul-americanos. O festival gratuito promove integração audiovisual com mostras, palestras e homenagens a Vincent Carelli e Paulina García, destacando narrativas indígenas em obras como Aldeia de Nalike e Vípuxovuko-Aldeia.

## Curadoria sem amarras: qualidade estética e narrativa como norte

Zé Geraldo Couto, um dos curadores da mostra Sul-Americana, explicou que os filmes selecionados são muito variados. "Não existe uma definição prévia de temas, gêneros ou estilos. Buscamos sempre uma combinação entre alguns valores: qualidade estética e narrativa; tema relevante; capacidade de se comunicar com um público amplo", disse.

A escolha final depende da oferta de filmes da temporada. "Só então é possível detectar certas tendências e estabelecer conexões entre as obras. Mas nada é definido previamente, antes de assistirmos aos filmes inscritos", completou Couto.

## Narrativas indígenas em destaque nas mostras do festival

As obras que abordam questões indígenas poderão ser conferidas em algumas das diversas mostras que integram o festival. Couto aponta que a presença maior dessa temática se encontra na Mostra Ambiental, na Sul-Mato-Grossense e em sessões especiais. "De todo modo, a presença de personagens e temas indígenas é até pequena, se pensarmos na importância desses povos na maioria dos países do continente", ponderou.

Entre os filmes com essa temática, destaca-se Aldeia de Nalike, documentário realizado por Claude Lévi-Strauss e Dina Lévi-Strauss em 1936, que apresenta um registro do povo Kadiwéu, na região de Porto Murtinho (MS). Também está na programação Vípuxovuko-Aldeia, de Dannon Lacerda, sobre a comunidade Terena em Campo Grande (MS), a partir de uma perspectiva queer e ancestral.

Marcos Pierry, curador da Mostra Sul-Mato-Grossense, explicou que Aldeia de Nalike é um filme silencioso, rodado em 16 milímetros, e pela primeira vez terá execução de trilha sonora e musical original, criada para recompor o trabalho e potencializar o resgate. Ao lembrar que a obra completa 90 anos, Pierry chama a atenção para a mudança na abordagem do tema, de um olhar folclórico e exótico para um enfoque mais sensível e interessado.

## O indígena como protagonista: da frente para trás das câmeras

Pierry destaca a transformação no cinema indígena: "Hoje tem essa marca: o indígena sai da frente da câmera e vai para trás das câmeras contar suas próprias histórias, não só documentando ou denunciando, muitas vezes atrelado à questão ambiental, mas também propondo ficção. Isso é de uma riqueza grande, uma chance grande para nós todos aprendermos."

Realizado no coração do Brasil, na região da Serra da Bodoquena, o evento contará com a presença do líder indígena Almir Suruí, que deve acompanhar uma sessão especial do filme Minha Terra Estrangeira, dos cineastas João Moreira Salles e Louise Botkay. O longa documental acompanha o líder indígena e sua filha Txai em meio à disputa política e a luta pela preservação da Amazônia. A sessão especial ocorre na noite da próxima terça-feira (28).

O tema indígena também será abordado por obras internacionais como o curta colombiano Sukua, que conta a história de um menino da etnia Cogui que ganha uma pistola d'água, e o boliviano Uma Uñjirinaka Cuidadorxs del Água, que mostra comunidades lutando contra a contaminação da água.

## Homenagens que conectam cinema e resistência

Entre os homenageados do festival está o cineasta Vincent Carelli, que será agraciado com o Troféu Pantanal pelo conjunto de sua obra cinematográfica. Além de obras como Corumbiara e Martírio, Carelli criou o projeto Vídeo nas Aldeias, de capacitação audiovisual. Criado em 1986, o projeto contribuiu para a produção de mais de 70 filmes por indígenas.

Carelli, em entrevista à Agência Brasil, destacou o valor do cinema feito por indígenas: "A coisa começa a ficar interessante quando eles mesmos fazem seus filmes e narrativas. Primeiro porque isso é um exercício muito interessante de autovalorização como processo interno das comunidades." Para ele, o cinema indígena apresenta "as coisas no seu contexto, significados e sentidos".

"O incrível é que, no processo de revelar essas narrativas, qualquer tipo de público foi capaz de distinguir que isso é um outro olhar. A gente começa a dialogar com as culturas indígenas, se interessar, conhecer. E acaba com aquilo de que o Brasil não conhece o Brasil", reforçou.

Segundo Carelli, o cinema indígena "não vem ensinar nada para ninguém", mas apresentar visões mais profundas sobre o universo dos povos indígenas. "Hoje isso tudo está sendo revelado: uma nova realidade, um novo olhar e, principalmente, é curioso como, nesse processo colaborativo de oficinas e para quem não tem a cultura cinematográfica tradicional, eles são sempre capazes de propor coisas muito espontâneas e muito verdadeiras."

## Paulina García e a abertura com Querido Trópico

A quarta edição do festival também homenageia a atriz chilena Paulina García, que atuou em produções como A Noiva do Deserto, Narcos e Gloria. Este último filme lhe rendeu o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim. A atriz também atua no filme Querido Trópico, escolhido como filme de abertura, exibido hoje (24), às 19h30.

## 32 produções de 13 países: a diversidade sul-americana em tela

Na edição deste ano, o festival apresenta 32 produções cinematográficas de 13 países da América do Sul. Participam longas e curtas produzidos na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Além da exibição de filmes, o Bonito CineSur promove palestras, cine debates, atividades formativas e encontros com realizadores.

Todas as atividades são gratuitas. O festival ocorre entre os dias 24 de julho e 1 de agosto no Centro de Convenções de Bonito. Mais informações podem ser obtidas no site oficial.

## Perguntas Frequentes

### Quando e onde acontece o Bonito CineSur 2026?

O festival ocorre de 24 de julho a 1 de agosto no Centro de Convenções de Bonito (MS).

### Quantos filmes serão exibidos no festival?

Serão 32 produções cinematográficas de 13 países sul-americanos.

### Quais são os homenageados do Bonito CineSur 2026?

O cineasta Vincent Carelli recebe o Troféu Pantanal, e a atriz chilena Paulina García também é homenageada.

### O festival tem filmes sobre temas indígenas?

Sim, obras como Aldeia de Nalike, Vípuxovuko-Aldeia, Sukua e Uma Uñjirinaka Cuidadorxs del Água abordam narrativas indígenas.

### As atividades do Bonito CineSur são pagas?

Não, todas as atividades promovidas pelo festival são gratuitas.

### Quais países participam do Bonito CineSur 2026?

Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

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Fonte (canonical): https://classicosbrasil.com.br/destaques/festival-bonito-cinesur-promove-integracao-audiovisual-sul-americana/
