# Eventos literários se firmam como espaços de encontro e visibilidade

> O III Festival Internacional do Leitor Quindim, em Caxias do Sul, projeta receber 80 mil visitantes. O evento consolida festivais literários como espaços centrais de encontro e visibilidade fora dos grandes centros. A programação aborda o tema do encontro, reunindo discussões, consumo e imersão em literatura. A expectativa de público demonstra a força desses eventos na promoção do livro e da leitura no Brasil.

*Clássicos Brasil · Destaques · 25 de agosto de 2026 · Ariovaldo Setúbal*

Longe dos grandes centros, festivais literários reúnem milhares de pessoas para discutir, consumir e mergulhar em literatura. Em Caxias do Sul, o III Festival Internacional do Leitor Quindim espera 80 mil visitantes e destaca o encontro como tema central.

A fila serpenteia devagar entre estandes de livros e mesas de autógrafos. Uma escritora local, de olhos marejados, tenta explicar o que significa ver seu nome impresso em uma capa exposta ali, no meio do Rio Grande do Sul. "É uma emoção que, por mais que eu trabalhe com palavras, às vezes é difícil colocar em palavras mesmo", disse Maya Falks, autora de mais de 30 livros. Essa cena se grava na memória de quem acompanha a terceira edição do Festival Internacional do Leitor Quindim, em Caxias do Sul, que segue até domingo (23) e espera receber 80 mil pessoas.

O festival, que ocorre ao longo de 12 dias, oferece mais de 170 atividades, como rodas de conversa, sessões de autógrafos e contação de histórias. Idealizado pelo escritor Volnei Canônica, o evento traz este ano o tema "O encontro nos faz existir". Canônica conta que o festival nasceu pequeno, com a preocupação de interiorizar o diálogo sobre literatura, muitas vezes centrado no Sudeste e nas capitais. "Quando a gente pensou em fazer um festival, a ideia era como trazer para o interior, como poderíamos fazer esse deslocamento de grandes nomes que pensam a literatura no Brasil", afirmou. Há convidados do Chile, do Equador, da Colômbia e do Irã.

A programação inclui ainda a Caravana do Leitor Quindim, que levará 900 estudantes de escolas públicas ao evento para encontros com escritores. "Quando a gente faz um evento que não é de dois, três dias, mas de 12, é porque queremos que reverbere essa questão da leitura na sociedade, que as pessoas fiquem mais tempo falando", disse o organizador.

Para autores locais, a interiorização dos festivais é uma chance rara de visibilidade. Maya Falks, nascida em Caxias do Sul e vencedora do Prêmio Vivita Cartier em 2021, publica por editoras pequenas e nunca havia participado de festivais grandes pelo país. "É um sonho que alimento", confessa. Elaine Cavion, também escritora da cidade, vê nos encontros um momento em que "o livro se abre" e o público conhece de onde veio o texto. Ambas apontam a centralização do mercado editorial no Sudeste e defendem maior diversificação para que toda a produção literária do país seja conhecida.

Ao final, a fala de Maya Falks resume o espírito do evento: "Ninguém sai perdendo nessa história. Todo mundo sai daqui melhor do que entrou". festivais literários no Brasil mercado editorial brasileiro

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